Trabalho Científico sobre Fibromialgia

Avaliação do Efeito de Dez Sessões de Fibromioterapia* no Tratamento da Síndrome de Fibromialgia Francisco Lélio Leme Jr.**, Helen J. Lima Leme***

*Fibromioterapia- denominação cientifica da Lemeterapia.
**Terapeuta Corporal – Diretor do Leme Instituto Terapêutico – Bragança Paulista – SP
***Terapeuta Corporal– Diretora do Leme Instituto Terapêutico – Bragança Paulista – SP.
Agradecimento: Prof. Paulo Luís Farber MD, Ph D, orientador, presidente da Associação Brasileira de Medicina Complementar, professor de Naturopatia Univ. Anhembi–Morumbi – SP.
Nov. 2005.

A Síndrome de Fibromialgia (SFM), cujo diagnóstico foi padronizado pelo Colegiado Americano de Reumatologia em 1990(1), é causa de muito sofrimento e sérios transtornos aos pacientes(2), gerando alto custo financeiro(3;4). Estima-se que 1,8 a 6% da população adulta do mundo ocidental industrializado apresentem SFM, com grande predominância de indivíduos do sexo feminino (80 a 90%)(4 ; 5; 6).
Apesar do grande aumento de pacientes diagnosticados, ainda não se encontraram formas eficazes e duradouras de tratamento(6). O uso de medicamentos tem demonstrado resultados paliativos no controle das dores e da própria síndrome. O órgão responsável pela aprovação de tratamentos nos EUA (FDA) ainda não regulamentou um tratamento para o controle da SFM, apenas se têm alguns tipos de tratamentos farmacológicos e não farmacológicos que propiciam poucos benefícios terapêuticos aos pacientes(6).
A Fibromioterapia(FMT) é uma estratégia terapêutica que combina calor brando local, vibração mecânica, manipulação corporal específica e a experiência empírica dos autores deste estudo em promover a melhora dos sintomas da Fibromialgia.
O objetivo deste trabalho foi avaliar se a Fibromioterapia é eficaz para a melhora das dores e da qualidade de vida dos pacientes num estudo prospectivo aberto sem grupo controle.

Metodologia

O trabalho foi realizado na sede da Associação Brasileira de Medicina Complementar, em São Paulo, SP e no Leme Instituto Terapêutico, em Bragança Paulista, SP, Brasil após aprovação da comissão de ética em pesquisa.
Todos os participantes possuíam pré-diagnóstico de SFM (mínimo 1 ano) feito por médicos reumatologistas e ortopedistas da cidade de Bragança Paulista, SP, sendo que se submeteram aos exames clínicos que excluíssem as seguintes entidades nosológicas: Síndrome da dor miofascial; outros reumatismos extra-articulares; polimialgia reumática e artrite de células gigantes; polimiosites e dermatopolimiosites; miopatias endócrinas: hipotiroidismo, hipertiroidismo, hiperparatiroidismo, insuficiência adrenal, hiperglicemia; miopatia metabólica por álcool; neoplasias; Doença de Parkinson; efeito colateral de drogas: corticosteróide, cimetidina, estatina, fibratos, drogas ilícitas.
Pacientes que não apresentassem mínimo de 5 (cinco) pontos aceitando pressão inferior a 4kg/cm2 e FIQ<40 foram excluídos.
Para a avaliação inicial foram coletados os dados de 3 (três) pares de pontos (nuca, torácica, glútea central) por dolorímetro de Fischer (PDT- Itália) e também submetidos ao Questionário de Impacto da Fibromialgia – FIQ(7). Os 10 sub-itens que compõem o FIQ (escala de zero a dez) foram utilizados antes e após as 10 sessões de Fibromioterapia como parâmetro de avaliação para o impacto da SFM em:1-Atividades físicas; 2- Bem estar; 3-Perda de dias de trabalho; 4-Capacidade de trabalho; 5-Dor corporal; 6-Fadiga; 7-Cansaço matutino; 8-Rigidez corporal; 9-Ansiedade e nervosismo; 10- Depressão.
De 75 pacientes, 20 foram selecionados e 17 deles atenderam as condições exigidas. Estes foram todos submetidos igualmente a 10 sessões de Fibromioterapia, na freqüência de uma (1) sessão semanal, com duração de 120 minutos.

Fibromioterapia

Os pacientes receberam aplicação de: 1)Calor através de esteiras térmicas elétricas (emissão apenas de infravermelho), 15 min. [Conair – Mod. no.1 – HP15R, 120V, 60Hz, 49W e Mod. no.2 – HC10F 120V, 60Hz, 49W, China]; 2)Vibração mecânica por massageador elétrico no1, 15 min. [Thrive – Mod.727, 110V, 60Hz, 25 W – Daito Eletric, Japão]; mais 15 min. de aplicação com massageador elétrico no 2 – [Panassonic – Mod. EV290, 120V, 60Hz, 15W Matsushita Eletric Works Ltd., Tailândia] ; 3) Manipulação corporal específica suave, incluindo massagem: 45 min. com emoliente: glicerina pura [Rioquímica – Ind. Farmacêutica Rioquímica Ltda., S.J. Rio Preto,SP, Brasil] e álcool etílico de cereais 95° GL [EMFAL, Betim, MG, Brasil] na proporção de 1:1; 4) Aplicação de vibração suave por massageador elétrico no.1, 20 min. 5) Alongamento dos membros e tronco, 10 min.
Após 10 sessões de Fibromioterapia os mesmos pontos foram reavaliados e o FIQ novamente respondido. Dados adicionais foram coletados antes e após: número de crises e de atendimentos ambulatoriais por mês, uso de medicação diária, efeitos colaterais da terapia e também muitos outros dados para estudos futuros relativos às manifestações associadas à SFM.
AVALIAÇÃO ESTATÍSTICA – Os dados foram comparados estatisticamente pelo teste “T” de Students e foram considerados estatisticamente significativos quando P<0,05.

Fibromioterapia

Participaram 15 pacientes (dois desistiram do estudo) com média de idade de 41,7 anos (variação 24 a 66 anos).
Como foram aplicadas apenas 10 sessões, somente 20% dos participantes completaram o número de sessões estimadas para tratar individualmente cada caso, perfazendo 51,5% das sessões estimadas.
As médias gerais dos pontos avaliados foram: 1,96 kg/cm2 antes e 4,07 kg/cm2 após a Fibromioterapia (FMT).

Gráfico acima P<0,01.

*p<0,01; ** p< 0,05; ns - não significativo.

Os índices médios gerais do FIQ foram: 82,0 antes e 22,3 após as 10 sessões. Escala FIQ: Zero:nenhum impacto; 100(cem):máximo impacto na qualidade de vida.

Todos os índices P ≤ 0,01 Resumo do Estudo Decomposto do FIQ.

Antes da aplicação da Fibromioterapia 93,3% dos pacientes faziam uso de medicação diária para dores e outras manifestações associadas à SFM. Após, 6,7% utilizavam medicação diária (P<0,01). Antes, a média era de 21,3 dias de crise de SFM por mês, após a FMT: 1,6 dia de crise por mês (P<0,01). Atendimentos ambulatoriais ou dias de hospitalização eram antes em média 4,27 ao mês e após: 0,07 atendimento/mês (P<0,01).

EFEITOS ADVERSOS: As sessões de FMT causaram sono e fadiga por até dois dias após as sessões em 13,4% dos pacientes.

Discussão

A SFM tem sido um desafio para a ciência e, até então, a revisão sistemática dos estudos não se encontram artigos que resultassem numa melhora importante no quadro clínico dos pacientes(6).
O motivo de termos realizado esse estudo foi devido aos bons resultados da Fibromioterapia, já aplicada pelos autores em mais de 350 casos de SFM, associados à pouca probabilidade de efeitos colaterais e a possibilidade de diminuição do uso de medicamentos.
O objetivo do estudo, melhorar as dores e a qualidade de vida dos pacientes com a aplicação de apenas 10 sessões de Fibromioterapia, foi além das expectativas, mesmo se tendo finalizado apenas 20% dos tratamentos.
Algumas das vantagens da FMT são: o pequeno investimento inicial em equipamentos e a possibilidade da realização do método com um treinamento relativamente curto (100h). A principal desvantagem é ter sessões demoradas (média 2 horas), requerendo investimento humano.
Este trabalho foi reproduzido por outros dois profissionais em duas pacientes escolhidas por serem refratárias a todos os tratamentos, demonstrando resultados muito semelhantes ao grupo experimental.
Os mecanismos de ação da Fibromioterapia são ainda desconhecidos, mas sabemos que aplicação de calor brando local, vibração mecânica suave, manipulação corporal, incluindo massagem e alongamento ainda não demonstraram produzir efeitos colaterais significativos(8;9). A diminuição da imunoreatividade, semelhante à substância P, demonstra que a estimulação vibratória diminui esse fator gerador da dor(10).
Há grande possibilidade de serem repetidos os resultados em pacientes de outros países, uma vez que já foi demonstrado que a sintomatologia da Fibromialgia em brasileiros é semelhante à descrita internacionalmente(11).
A melhora da qualidade de vida sem resultar em outros danos à saúde foi o resultado de maior impacto deste trabalho. A diminuição das dores, ao ponto de se obter ausência ou diminuição da necessidade de medicamentos, justificou completamente sua realização e também nos motiva a prosseguir com novos estudos.

Referências Bibliográficas

1. Wolfe F, Smythe HA, Yunus MB, et al. – The American College of Rheumatology 1990 Criteria for the Classification of Fibromyalgia. Report of the Multicenter Criteria Committee. Arthritis Rheum. 1990 Feb;33(2):160-72.

2. ASSEFI NP, COY TV, USLAN D, SMITH WR, BUCHWALD D. – Financial, occupational, and personal consequences of disability in patients with chronic fatigue syndrome and fibromyalgia compared to other fatiguing conditions. J Rheumatol. 2003 Apr;30(4):804-8.

3. SHAVER JL – Fibromyalgia syndrome in women. – Nurs Clin North Am. 2004 Mar;39(1):195-204, VIII.

4. ROBINSON RL, BIRNBAUM HG, MORLEY MA, SISITSKY T, GREENBERG PE, CLAXTON AJ. – Economic cost and epidemiological characteristics of patients with fibromyalgia claims. J Rheumatol. 2003 Jun;30(6):1318-25.

5. SCHOCHAT T, BECKMANN C. – Sociodemographic characteristics, risk factors and reproductive history in subjects with fibromyalgia–results of a population-based case-control study. Z Rheumatol. 2003 Feb;62(1):46-59.

6. GOLDENBERG DL, BURCKHARDT C, CROFFORD L.- Management of Fibromyalgia Syndrome – JAMA. 2004;292:2388-2395.

7.BURCKHARDT CS, CLARK SR, BENNETT RM.- The fibromyalgia impact questionnaire: development and validation J Rheumatol. 1991 May;18(5):728-33.

8. ERNST E. The safety of massage therapy. Rheumatology (Oxford). 2003 Sep;42(9):1101-6. Epub 2003 May 30.

9. CHERKIN DC, SHERMAN KJ, DEYO RA, SHEKELLE PG. A review of the evidence for the effectiveness, safety, and cost of acupuncture, massage therapy, and spinal manipulation for back pain. Ann Intern Med. 2003 Jun 3;138(11):898-906.

10. GUIEU R, TARDY-GERVET MF, GIRAUD P. – Substance P – like immunoreactivity and analgesic effects of vibratory stimulation on patients suffering from chronic pain. Can J Neurol Sci. 1993 May;20(2):138-41
11. MARTINEZ JE, CRUZ CG, ARANDA C, BOULOS FC, LAGOA LA – Disease perceptions of Brazilian fibromyalgia patients: do they resemble perceptions from other countries? Int J Rehabil Res. 2003 Sep;26(3):223-7.

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